Quarta-feira, 22 de Novembro de 2006

PRÓXIMA RODA DE LEITURA

 

ANTÓNIO GEDEÃO - O «POETA DA CIÊNCIA»  

                                                                                                                      

             H2 O + NaCl  

                                                                                                                                                                            

Centenário do nascimento de Rómulo de Carvalho
                         

António Gedeão é uma pessoa rara. Nasceu poeta, tornou-se professor de Física e deslumbra-nos porque combina palavras com a serenidade, a certeza, a perícia de quem mistura sais.

Quando decidiu publicar o primeiro livro, em 1956, fê-lo em segredo. Não contou a ninguém, escondeu-se atrás de um pseudónimo e até a sua mulher recebeu um exemplar autografado pelo correio!

Colhidos de surpresa, os críticos não pouparam elogios. Mas interrogavam-se: afinal quem é este homem? A resposta aí está: António Gedeão nasceu a 24 de Novembro de 1906, no Bairro da Sé, em Lisboa, e foi baptizado com o nome de Rómulo. Rómulo de Carvalho. Cresceu rodeado de carinho e aprendeu a ler em casa, sob a orientação da mãe e da irmã Noémia. Tinha apenas cinco anos quando espantou a família apresentando o seu primeiro poema. Na escola, também deixou os professores assombrados porque lhe bastaram dois anos para adquirir os conhecimentos que habitualmente se distribuem por quatro. Ele próprio recorda esses tempos com um vago sorriso de ternura:

“Fiz exame de admissão ao liceu com oito anos e fiquei aprovado. Mas como não tinha idade para frequentar as aulas, continuei na escola primária que era um andar na Travessa do Almada. Ocupava o tempo a ensinar os mais novos. Essa foi a minha primeira experiência como professor. Se calhar, despertou ali a minha vocação…”

O estudo, sempre grande fonte de prazer, veio levantar-lhe um problema difícil: seguir Letras ou Ciências? Igualmente atraído pelos dois campos, acabaria optando pelas Ciências. “Considerei que assim tinha acesso a uma maior vastidão de conhecimentos e preparava o espírito para me apoderar das Letras por conta própria. Fiz o curso de Físico-Químicas na Faculdade de Ciências do Porto porque quis afastar-me de Lisboa, onde o excesso de solicitações me dispersava. No Norte não conhecia ninguém e podia, portanto, mergulhar no estudo a tempo inteiro. Sem nunca abandonar a leitura. Mantive-me atento ao mundo literário. E nas horas vagas dava explicações. Acho que quis ser professor por causa disso. Apercebi-me que podia ser útil, que transmitia o saber com facilidade.”

O percurso do poeta transparece na obra: linguagem específica das Ciências, clareza invejável e um imenso talento.

“Não há não,
duas folhas iguais
em toda a Criação.
Ou nervura a menos,
ou célula a mais,
não há com certeza,
duas folhas iguais.”

Até parece fácil. E para ele, é. “Nunca estive sentado diante de uma folha de papel à espera de inspiração. As palavras ocorriam-me espontaneamente, muitas vezes a propósito do quotidiano e compunha o poema de cor onde quer que estivesse. Depois, chegava a casa e escrevia.”

Esta espontaneidade confere um ritmo muito especial aos poemas. O ritmo da própria música.

“Eles não sabem que o sonho
é uma constante da  vida
tão concreta e definida como outra coisa qualquer,
como esta pedra cinzenta
em que me sento e descanso,
como este ribeiro manso
em serenos sobressaltos,…”

                                                                                                                                   

* Excerto de entrevista concedida por Rómulo de Carvalho
a Ana Maria Magalhães - para Jornal do Gil -Expo 98

 

post-scriptum às 16:11

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Este blog persegue os objectivos do «Plano Nacional de Leitura» e promove, paralelamente, a participação da Escola Secundária de Palmela no «Projecto Ler Consigo» da Associação de Professores de Português/APP.

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