Quinta-feira, 19 de Abril de 2007

PRÓXIMA RODA DE LEITURA - 23 DE ABRIL

       DIA MUNDIAL DO LIVRO

 

  

                                                                                                                         

 

...À RODA DAS AVENTURAS DE JOÃO SEM MEDO

        (planfeto mágico em forma de romance)

   

                                                                                                                             

  

                                                                                                                                                                             

«Era uma vez um rapaz chamado João...»

                

                                                                                                            

  

        Aventuras de João Sem Medo

 

Romance publicado em Lisboa em 1963, na Colecção Contemporânea da Portugália Editora. A 2ª e 3ª edições saíram em 1974, na mesma editora, com o subtítulo "panfleto mágico em forma de romance". As publicações posteriores ficaram a cargo das "Edições D. Quixote". Na última parte da dedicatória que abre esta obra, afirma o autor que "As Aventuras Maravilhosas de João Sem Medo" são um "divertimento escrito por quem sempre sonhou conservar a criança bem viva no homem" (e o próprio autor dizia recusar-se a ter mais de 20 anos). "E poucos livros conseguiram operar de forma tão nítida este prodígio: foi escrito para a juventude, mas os chamados adultos identificaram-se plenamente com o universo mágico que ele encerra" - como diria anos mais tarde José Jorge Letria. Mas aquilo que à primeira vista é apenas um "divertimento literário", serve também de panfleto irónico ao Portugal do Fascismo, com o seu atraso em relação ao resto do Mundo civilizado ("Os relógios não marcavam as horas, os minutos e os segundos, mas os séculos", como escreve o autor numa passagem da obra), os seus dramas - a falta de liberdade de expressão e representação, a alienação no plano político, a negação do indivíduo como actor-sujeito, a recusa da sua transcendência - e lutas quotidianas em tempo de repressão (metaforizado na aldeia "Chora-Que-Logo-Bebes", onde nasceu João, o protagonista da obra, e obsessivamente em muitos outros espaços. João, por exemplo, durante o seu percurso circular de saída e retorno à casa da aldeia, anda atento - com os olhos do corpo e os da alma - ao que o rodeia, enxergando um mundo diferente que o espanta, uma vez que é um mundo de regras diferentes e às avessas - a tristeza faz rir e a alegria chorar, anda-se de mão no chão e pés para cima, invoca-se o "Diabo das Alturas", etc -, onde tudo se transforma, e em cujo processo transformativo nem o próprio João escapa. A situação psicológica do espanto é partilhada pelo autor, face ao seu próprio mundo). João Sem Medo é um dos sujeitos irónicos da obra, ironizando sobre tudo o que lhe acontece, inclusivamente mostrando saber que está vivendo dentro de um determinado modelo narrativo (a certa altura, por exemplo, pensa que haverá de agir "como todos os heróis de contos populares nas circunstâncias em que me encontro". Dirige-se também ao narrador como uma personagem plurificada: "Não me digam que aqueles cabeças de vento se esqueceram da luzinha para me guiar. E agora? O que hei-de fazer ao raio da vida sem a luzinha?" Esta e outras personagens parecem ser leitoras delas próprias, analisadoras e críticas do narrador que as conta, e quase interpretadoras do próprio autor, que paga com a mesma moeda da ironia, a ironia de que é alvo por parte das personagens). Depois da sua viagem (e nomeadamente depois de passar pelo "Vale das Experiências"), João Sem Medo parece ter descoberto a verdade em si, e pretende regressar à sua aldeia natal como um Messias ou D. Quixote (capaz de todos os "golpes de Estado"). Mas o que é certo é que não consegue assumir-se como mais do que um "agente-desalienante" (aprisionado dentro de um sonho), tal como José Gomes Ferreira não conseguiu ser mais do que um combatente cuja luta só se poderia concretizar no plano dos "Projectos". A crítica de Alexandre Pinheiro Torres a esta obra (in "Vida e Obra de José Gomes Ferreira), é clara e deixa praticamente tudo dito àcerca dela : “Livro sem qualquer paralelo na literatura europeia de hoje, ganha no confronto em relação a outras célebres alegorias políticas (...)”

 

 

 

post-scriptum às 23:27

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Este blog persegue os objectivos do «Plano Nacional de Leitura» e promove, paralelamente, a participação da Escola Secundária de Palmela no «Projecto Ler Consigo» da Associação de Professores de Português/APP.

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