Segunda-feira, 7 de Maio de 2007

«Monólogo com Erva-Cidreira»

 

«...o amor é uma coisa rara, difícil de encontrar, e que só aparece a poucos, por acaso, uma vez por século, se tanto...»

                                                                   

                                      Hélia Correia,  A Fenda Erótica

 

        

                                                                     

Sei que ele vai chegar hoje. Não que alguém me tivesse dito, mas há quinze anos que espero este forte cheiro a erva-cidreira que agora se sente, depois da chuva. O mesmo cheiro que me entrou pelo nariz quando pela primeira vez ele chegou à vila e eu soube que era para casar comigo, mesmo antes de o ter visto ou de alguém me ter feito o retrato dele. Lembro-me como se tivesse sido ontem pelo meio da tarde: estava sentada no pátio a depenar as galinhas que a minha mãe tinha mergulhado na água a ferver; eram para a festa de anos da minha irmã, a festa onde ela iria anunciar a toda a gente o seu casamento. (...) Tinha o vestido sujo de sangue e senti uma vergonha inexplicável quando notei, no meio do cheiro a carne morta e a enxúndia de galinha, um leve aroma a erva-cidreira. Isto foi três horas antes de ele chegar. De modo que quando entrou pelo portão da quinta, de braço dado com a minha irmã mais velha, já eu tinha mudado de vestido, soltado os cabelos sobre os ombros e posto do perfume dela.

O homem com quem a minha irmã ia casar, e que ela tinha conhecido enquanto estudara na Universidade, entrou em nossa casa no primeiro dia do Verão de há quinze anos. Quando o vi na sala, à contraluz do velho candeeiro de talha dourada, percebi de novo que aquele cheiro a erva-cidreira tinha anunciado o meu casamento e não o dela. Ele ainda mal tinha reparado em mim, e eu tentava ficar sempre na sombra, nas costas dele, admirando-lhe o tom da voz e os modos delicados com que fazia todos os gestos.

Nessa primeira noite em que ele ficou em nossa casa puseram-lhe a mala e fizeram-lhe a cama no quarto ao fundo do corredor, o mais longe do da minha irmã, por uma questão de pudor. Mas o mais perto do meu, por uma questão de destino.

Eu tinha dezassete anos nesse Verão, e de homens não sabia nada. Tinha visto alguns rapazes mais novos do que eu quando tomavam banho no rio. Ia com uma amiga espreitá-los algumas vezes, por entre as canas, enquanto se despiam, e esperávamos sempre até que saíssem de dentro de água para os vermos nus e molhados, deitados ao sol sobre a erva. De maneira que tudo o que se passou nessa tarde me provocou um desejo que eu nunca tinha sentido por ninguém. Todo o meu quarto e as minhas roupas cheiravam nessa noite a erva-cidreira. Mas era um cheiro que só eu sentia; ninguém, durante o serão de festa, se Ihe havia referido.

Retirei-me para o meu quarto antes de todos saírem da sala e antes de brindarem com os cálices de cristal que tínhamos herdado da avó, e que só eram utilizados nas grandes ocasiões. Enchi a banheira de água tépida e emborquei nela um pouco de sais de banho que a minha irmã tinha levado para casa, quando regressou de vez da cidade onde estivera a estudar. Despi-me e olhei-me nos três espelhos do guarda-fato, de portas abertas de modo a que me pudesse ver de quase todos os lados. Poucas ou nenhuma vez olhara assim para mim. Tinha já o tamanho dos seios e o volume de nádegas que há alguns anos me levaram a invejar a beleza da minha irmã, quando uma manhã entrei de repente no seu quarto, irritada com o som estridente do rádio, e a encontrei nua, a dançar aos saltos por cima da cama e da cadeira, até que rompeu num riso cínico e me perguntou se eu não gostaria de ser igual a ela. Depois de ter tomado banho, enquanto procurava uma camisa de noite que a minha irmã me oferecera no Natal anterior, e que eu ainda não estreara, senti que o cheiro a erva-cidreira se tornava cada vez mais intenso. Encontrei e vesti a camisa, era quase transparente e eu não tinha mais nada por debaixo dela.

 

Essa foi a primeira das doze noites em que me levantei, depois de todos terem apagado a luz, e me fui enfiar na cama do homem que a minha irmã mais velha trouxera para a desposar. O mesmo homem que quando partiu, duas semanas depois, para ir buscar as coisas dele e regressar para o casamento, me puxou pelo braço, encostando-me à salamandra do corredor, e me disse: «Sei que voltarei para casar, mas contigo, soube disso quando olhei os teus olhos pela primeira vez.»

 

É esse homem que eu sei que vai chegar hoje, quinze anos depois. Foi por ele que eu arranjei esta casa junto ao rio, onde o espero hoje por causa deste cheiro a erva-cidreira que se pôs no ar logo depois de ter deixado de chover.

 

 

           DIREITINHO, José Riço. «Monólogo com Erva-cidreira», in A Casa do Fim, Ed. Asa, Porto, 1999.

 

 

                               ...e se inventássemos um explicit para esta história?...

 

Sentada debaixo do alpendre, medito sobre os quinze longos anos que esperei e sobre o sofrimento contido, guardado dentro de mim... A ansiedade mistura-se com a recordação do sofrimento da minha irmã que, em vão, aguardou um casamento que nunca se realizou.

Olho... De repente, ao longe, sob uma pequena poeira, vejo-o! Está mais velho, mas mantém aquele ar que nunca esqueci. Abraçamo-nos, não dizemos nem uma palavra, os olhos transmitem tudo quilo que esperámos e sentimos tanto tempo… Agora, juntos, iremos finalmente ser felizes. Temos tanto que aprender e aproveitar! É verdade, o Mundo está à nossa frente, só temos que entrar nele e desfrutá-lo.

E o cheiro a erva-cidreira continua a pairar sob as nossas cabeças, como o nosso amor. Somos felizes…

Tiago Jones – nº 28 – 10º A 


                                                                                                                           

Por fim chegou. Bati à porta duas vezes. Eu já sabia de quem se tratava, pelo cheiro de erva-cidreira intenso que chegava até mim pelas frestas da porta. Abri a porta, saltei-lhe para os braços e beijei-o, como já sonhava desde há quinze anos.
Tal como prometeu, voltou para me desposar, mas disse que teria de esclarecer as coisas com a minha família primeiro, pois ele depois de me ter dito que voltaria para casar comigo, disse à minha irmã mais velha que já não a poderia desposar pois não a amava, mas sim a uma rapariga que viera deitar-se com ele durante doze noites, que era eu, sua irmã mais nova.
Depois desta conversa e de ele se ter ido embora, a minha irmã mais velha contou o sucedido aos nossos pais que imediatamente me chamaram e disseram que eu era uma vergonha para eles e que a partir deste dia teria de sair daquela casa e que não me poderia dizer membro desta família.
Ele ainda foi falar com os meus pais, para não existir rancor nem mágoa entre nós, mas de nada valeu. Voltou para minha casa junto ao rio, que agora é a nossa casa, e disse-me que agora éramos só nós dois e o fruto do nosso amor que irá nascer dentro de cinco meses.

Carina Batista - nº 7 - 10º C

                                                                                                                              


                                                                                                                               

Eterna era a minha espera. Tornara-se insaciável a vontade de sentir aquele cheiro a erva-cidreira que eu tanto desejara, aquele que me fazia amar, desejar e aguardar, mesmo que fosse eternamente. Foi então que, num daqueles minutos da espera tão desejosa, senti cada vez mais forte, aquele cheiro que parecia, também ele, estar dentro de mim...
 És tu! Eu sabia que irias voltar!... Durante quinze anos não me cansei de esperar por ti, de voltar a sentir este cheiro, que inexplicavelmente me faz tão feliz!
 Eu amo-te! - disse ele - E voltei apenas para te olhar mais uma vez... A última, creio. Não poderia partir sem te olhar mais uma vez! Ainda agora cheguei, mas ainda hoje me vou... Tenho um destino incontornável a seguir... Volta para casa! Anuncia à tua irmã a minha morte e ESPERA POR MIM!...Porque certamente ainda nos voltaremos a encontrar... E desta vez, para sempre!
Dito isto, beijou-me e saiu. Nunca mais o voltei a ver. Ultimamente, aquele cheiro tem-se desvanecido... E eu, só agora, deixei de o aguardar...

Micaela Teixeira – nº 15 – 10º B

                                                                                                                             

 


 

                                                                                                                               

Estou neste preciso momento a senti-lo. Sei que quando abrir aquela porta, ele estará lá, sorrindo e emanando aquele odor e eu... Eu estarei em êxtase puro! Ele explicar-me-á as honrosas razões da sua demora, e eu entenderei, como também lhe irei explicar o sucedido durante estes quinze anos. E os outros... O que dirão? Não importa, encararão a nossa doce realidade. Quanto à minha irmã irá prosseguir a sua vida de mãe de família e perdoar-nos-á desta traição e das angústias que lhe foram causadas.

Seremos felizes, sei que sim, sei porque o sinto neste fresco cheiro a erva-cidreira que vem a caminho. Viveremos nesta casa junto ao rio, sozinhos e apaixonados até ao final das nossas vidas. Tenho a certeza absoluta.
É agora, ele voltou!... Não me enganei... É ele!

Sílvia Diniz - nº 25 - 10º B

 

                                                                                                            

 


 

 

Não revelei a parte mais complicada e verdadeiramente angustiante da minha história. Naquelas semanas em que ele cá esteve, no décimo primeiro dia, a minha irmã pediu-me para falar com ela, pois tinha de me contar algo verdadeiramente importante. Naquele dia o meu corpo todo tremia, estava completamente arrependida, mas o que poderia ter feito? Era mais forte do que eu, não consegui resistir ao seu corpo, ao seu sorriso, ao seu profundo olhar, ao seu odor, ao calor que emanava… Ao jantar nem consegui sequer comer, os dedos tremiam ao pegar naquela colher de prata, de tão nervosa que estava, e para não levantar suspeitas, retirei-me para o quarto por instantes. Estava frio e já passava da meia-noite, ela esperava-me na sala, debaixo do velho candeeiro. Não perdeu tempo e foi directa ao assunto:
 Ele traiu-me. Eu própria o comprovei – disse baixinho, mas com uma voz triste e melancólica. E num instante, acrescentou:
 Se eu não for feliz ao lado dele, mais ninguém será!
Fiquei perplexa. Ela sabia de tudo... só não sabia que quem tinha dormido com o seu noivo durante aquelas doze fantásticas noites, tinha sido a sua própria irmã. Ficámos as duas em silêncio por momentos, estava surpreendida com toda a situação e não consegui pronunciar nem uma única sílaba. De repente ouviram-se passos no corredor e disse-me que acabaríamos a conversa no dia seguinte.
No dia seguinte lá estava ela, com o seu vestido rosa e com um sorriso cínico no rosto. O ódio e a vingança tinham-se apoderado dela. E eu não era capaz de contar a ninguém da minha família, pois todos nos julgavam raparigas sensatas e delicadas, umas verdadeiras princesas...
Não me restou outra alternativa, estava insegura, sentia-me culpada, sentia-me uma cobarde por não ter enfrentado a situação e não lhe ter dito a verdade, a sua própria irmã era uma traidora, mas não, apesar de ser forte e determinada, naquela altura não consegui contar-lhe, e preferi dizer ao homem que amava e com quem dormi todas aquelas noites para fugir. Combinámos que logo de madrugada ele partiria. Mas a promessa de casamento ficou a pairar no ar... como o cheiro da erva-cidreira.
Durante todo este tempo, estive à espera dele. A minha irmã já está longe, em França, e nada agora nos separa.
Até ao mês passado não tinha recebido notícias algumas dele. Mas agora eu sei, eu sei que ele chegará hoje, com o seu cheiro a erva-cidreira, e ficaremos os dois nesta casa junto ao rio, pois a nossa história só agora vai começar…

Janaína Maurício – nº 10 – 10º B

                                                                                                                                                                                                                                                     


 

 

Na realidade esse homem voltou, mas acompanhado por uma mulher com uma criança. Quando bateram à porta, eu estava ansiosa, mas o cheiro a erva-cidreira não deixou dúvidas e tive a certeza quando o vi.
Mas quando me apercebi que ele estava acompanhado, a alegria que estava estampada no meu rosto desapareceu subitamente e senti-me enganada. Provavelmente aquela seria a sua mulher e a criança, sua filha.
Naquele momento eu disse-lhe que ele era um mentiroso, que me tinha dito que voltaria para se casar comigo e afinal já era casado e tinha uma filha.

Eu ia a fechar a porta, quando ele me impediu dizendo que aquela mulher era sua irmã e que a criança era sua sobrinha e acrescentou que tinha voltado para se casar comigo como tinha dito há quinze anos. Então convidei-os a entrar e pedi desculpa por o acontecimento de ciúmes que fizera. E passados todos estes anos, vamos finalmente casar...

Raquel Teixeira - nº 24 - 10º C

                                                                               

 


 

 

                                                                           

Três horas depois alguém bateu à minha porta. Era ele. Passou lá a noite e partiu ao nascer do sol.
Procurei-o no dia seguinte. Cheguei ao seu quarto de hotel e quem abriu a porta foi uma mulher. Ao fundo estava ele com uma criança nos braços. Nem queria acreditar no que via. Corri e só parei em casa. Como pude pensar que nada tinha mudado nestes quinze anos...?!
Só me voltou a procurar na semana seguinte. Não abri a porta. Deixou uma carta deduzindo que não o quisesse ouvir:
  “Sei que o que viste foi difícil para ti, mas tenta compreender... Passaram quinze anos... Passou uma vida... Na altura pensei que o que tivemos fosse para sempre, mas com o decorrer do tempo tudo se desvaneceu. Não contava que ainda me esperasses... Segue a tua vida e não me procures... Não quero abrir feridas do passado agora saradas... Apenas quero que saibas que o que disse à quinze anos atrás foi sincero.”
Não sei o que o levou a crer que eu o procuraria. Nunca sofri tanto como agora. Nem uma simples explicação! Apenas um descargo de consciência! Todos estes anos de espera em vão... Porque é que me procurou quando chegou? Como foi capaz de ser tão insensível?! São questões às quais nunca obtive resposta.
Até hoje estou sozinha nesta casa à beira rio, distanciada da minha família, pois nunca mais fui capaz de confiar em nenhum homem depois deste incidente que me marcou para sempre.


Ana Gonçalves - nº 3 - 10º B

                                                                         

 


 

 

                                                                    

Ali estava ele. Atrás da porta. Eu sabia-o! O cheiro a erva-cidreira não me deixava enganar. Abri a porta e olhei-o nos olhos. Estavam diferentes. Não precisei de palavras para o perceber. Olhavam-me de uma forma fria que eu não compreendia. Já não tinham aquela chama, aquele brilho. Sabia que ele não tinha voltado para casar comigo, mas sim para me dizer para seguir em frente com a minha vida.
Não muito longe vi uma criança, que devia ter os seus dez anos, a apanhar flores. Eu sabia que aquela linda menina, de cabelos ruivos e olhos verdes como esmeraldas, era a sua filha. A filha que devia ter crescido em meu ventre, que eu devia amar com todo o meu coração.
Ele foi-se embora levando-a pela mão, mas o cheiro a erva-cidreira não se foi com ele. Continua a perseguir-me. Penso que jamais me abandonará!...

                                                                                                    

Cátia Pereira - nº 10 - 10º C

                                                                                

 


 

 

Este foi o dia em que me senti mais ansiosa em toda a minha vida, tinha o coração cheio de certezas que ele ia voltar para casar comigo, mas por momentos pensava que talvez não voltasse, pois porque teria ele demorado quinze anos?

Nesta manhã, acordei com uma grande mistura de sentimentos dentro de mim. Levantei-me e ao abrir a janela avistei ao longe um homem que montado num cavalo, vinha em direcção à minha casa. Por momentos nem me ocorreu que poderia ser ele, o homem da minha vida, dos meus sonhos. Só depois pensei que aquele era o dia em que ele iria chegar!

O homem aproximava-se cada vez mais de minha casa e eu ia conseguindo ver-lhe os traços do rosto, cada segundo que passava eu ficava mais inquieta.

Passados alguns minutos, ele estava à minha porta, eu estava incrédula, mas ao mesmo tempo uma alegria enorme invadiu o meu coração.

Saí para a rua e fui ao seu encontro, ele desceu do seu belo cavalo branco e para minha grande alegria ajoelhou-se diante de mim e disse: “Prometi-te que voltaria para casar contigo, e aqui estou! Por favor diz-me que ainda me amas, e que aceitas casar comigo.”

Um grande sorriso e um enorme “Sim” foram a minha resposta. O meu grande sonho tinha acabado de começar a realizar-se. O homem que amava, desejava e que eu tinha escolhido para estar a meu lado, tinha finalmente, ao fim de quinze anos, voltado. E desta vez para ficar!...

 

Patrícia Sousa – nº 17 – 10º B

                                                                                       

 


 

Estava a chover e o cheiro a erva-cidreira tornava-se cada vez mais intenso à medida que o tempo passava. O homem que eu esperava há mais de quinze anos tardava em chegar, mas eu sempre tive a esperança de que ele acabaria por voltar, por mais tarde que fosse.

Ele chegou, e o cheiro a erva-cidreira lá estava, mais forte do que nunca. Assim que o vi, corri para os seus braços e abracei-o, com as saudades de quem não o via há quase uma eternidade.

Porém, quando ele disse que tinha voltado, mas não para casar, porque não seria justo para com a minha irmã, a minha esperança desapareceu.

Assim como o cheiro a erva-cidreira.

Foi assim, desiludida, que voltei para a minha casa junto ao rio, à espera que parasse de chover, para poder voltar a sentir o cheiro a erva-cidreira.

 

Sofia Figueiredo - nº 26 - 10º B

                                                                                

 


 

Aquele foi o dia mais marcante da minha vida!

Infelizmente marcou-me pela negativa, ao contrário do que eu esperava... 

Para minha grande decepção ele voltou, mas não foi para casar comigo, tal como tinha prometido. Voltou e disse-me que não conseguiria fazer tal crueldade à minha irmã e que portanto iria casar com ela e não comigo.

Foi o dia mais infeliz da minha vida!... Nunca mais consegui olhar para um homem, pois estava demasiado decepcionada para o fazer!

 

João Ferreira – nº 10 – 10º E

                                                                                                        


                                                                                                              

Hoje, passado tanto tempo o cheiro a erva-cidreira voltou, mais forte do que nunca, dizendo-me que o vou reencontrar. Passou muito tempo desde a última vez que os nossos corpos estiveram juntos mas os nossos corações nunca se separaram, isso eu sei...

De repente sinto um desejo incontrolável de ir à beira-rio, um instinto como o de beber água para viver... Foi então que vi o seu reflexo na água… O seu rosto está cansado, mas ainda não se deixou apanhar pelo passar dos anos. Olho uma vez mais para os olhos daquele homem que sempre amei e vejo que também ainda me ama a mim. Não são precisas palavras... Num único beijo dizemos tudo o que crescera nos nossos corações durante quinze longos anos de espera. Em silêncio continuamos, tudo o que temos para contar um ao outro pode esperar até amanhã. Passaremos a vida juntos... Agora só temos de percorrer o rio até à sua foz e ver o que esta nos aguarda, pois são os pequenos detalhes, como o cheiro a erva-cidreira, que me fazem amar esta vida e este homem que hoje me procurou mais uma vez.

Ana Cruz - nº 2 - 10º B

 

 

 

post-scriptum às 19:33

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Este blog persegue os objectivos do «Plano Nacional de Leitura» e promove, paralelamente, a participação da Escola Secundária de Palmela no «Projecto Ler Consigo» da Associação de Professores de Português/APP.

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