Quarta-feira, 2 de Abril de 2008

RODA DE LEITURA

 

... à roda de textos do Padre António Vieira 

                                               

                                                       

... com o Padre António Vaz Pinto

              

 

“Temos algumas coisas em comum: ambos nos chamamos António, ambos nascemos em Lisboa, ambos somos jesuítas e, enfim, ambos acreditamos que é essencial defender a tripla constituída pela fé, pela justiça e pela cultura.” (transcrição das palavras do Padre António Vaz Pinto respondendo a uma aluna sobre um hipotético paralelismo de caminhos percorridos) 

                                                    in http://nestahora.blogspot.com

 


 

Esta foi uma ocasião privilegiada para ficarmos a conhecer o Padre António Vaz Pinto – excelente comunicador tal como o Padre António Vieira (outra característica comum) – que veio até à Escola Secundária de Palmela para participar numa Roda de Leitura sobre o Padre António Vieira (em pleno Ano Vieirino) e para pregar a estes peixes, nossos alunos…

O Padre António Vaz Pinto leu um excerto do Sermão do Espírito Santo que também constitui uma perfeita alegoria do trabalho docente:

«E ninguém se escuse — como escusam alguns — com a rudeza da gente, e com dizer, como acima dizíamos, que são pedras, que são troncos, que são brutos animais, porque, ainda que verdadeiramente alguns o sejam ou o pareçam, a indústria e a graça tudo vence, e de brutos, e de troncos, e de pedras os fará homens. Dizei-me, qual é mais poderosa, a graça ou a natureza? A graça, ou a arte? Pois o que faz a arte e a natureza, por que havemos de desconfiar que o faça a graça de Deus, acompanhada da vossa indústria? Concedo-vos que esse índio bárbaro e rude seja uma pedra: vede o que faz em uma pedra a arte. Arranca o estatuário uma pedra dessas montanhas, tosca, bruta, dura, informe, e, depois que desbastou o mais grosso, toma o maço e o cinzel na mão, e começa a formar um homem, primeiro membro a membro, e depois feição por feição, até a mais miúda: ondeia-lhe os cabelos, alisa-lhe a testa, rasga-lhe os olhos, afila-lhe o nariz, abre-lhe a boca, avulta-lhe as faces, torneia-lhe o pescoço, estende-lhe os braços, espalma-lhe as mãos, divide-lhe os dedos, lança-lhe os vestidos; aqui desprega, ali arruga, acolá recama, e fica um homem perfeito, e talvez um santo que se pode pôr no altar. O mesmo será cá, se a vossa indústria não faltar à graça divina. É uma pedra, como dizeis, esse índio rude? Pois, trabalhai e continuai com ele — que nada se faz sem trabalho e perseverança — aplicai o cinzel um dia e outro dia, dai uma martelada e outra martelada, e vós vereis como dessa pedra tosca e informe fazeis não só um homem, senão um cristão, e pode ser que um santo.»

                                                            

E assim «tudo vale a pena (se a alma não é pequena)» vale a pena para o escultor, vale a pena para o padre e vale a pena para o professor, tal como o Padre Vaz Pinto escreveu: «vale a pena ser homem, ser cristão, ser padre, ser jesuíta... Vale a pena viver.»

                                                                      Maria do Céu Couto

 

 

                            C.R.E. / BIBLIOTECA

                                          DA

            ESCOLA SECUNDÁRIA DE PALMELA

 

        

 


 

 

 

 

            

                                                                                                                     
«O que mais gostei nesta Roda de Leitura foi a conversa aberta com o Padre António Vaz Pinto, as perguntas/respostas, as histórias que contou, a carta que leu de Vieira, bem como o primeiro excerto que leu dos Sermões do Padre António Vieira. 
Acho que nós, alunos, deveríamos ter participado mais, com trabalhos nossos, para que a Roda fosse mais dinâmica.
Esta Roda foi para mim enriquecedora pois tivemos contacto com uma pessoa especial que já fez muito no domínio da religião e da cidadania, uma pessoa com muito valor que me fez pensar (apesar de ter uma forma de ver as coisas muito diferente da minha!...) 
Fico à espera de uma última Roda de Leitura para nos despedirmos deste ano em beleza pois esta, na minha opinião, teve altos e baixos (em alguns momentos foi fascinante e muito interessante, noutros, um pouco maçadora...) Mas no conjunto gostei.»

                                                                          Carina Batista - nº 5 - 11º C

 

 
     
                                                                                                                         

«Das Rodas de Leitura em que participei, esta foi sem dúvida a que foi mais do meu agrado!
A presença do Padre António Vaz Pinto foi muito oportuna pois, melhor que ninguém, este padre jesuíta conseguiu falar e transmitir a sua opinião relativamente ao Padre António Vieira e à sua obra.
O Padre António Vaz Pinto pareceu-me uma pessoa espectacular e também bastante culta; o seu modo de falar e de estar contagiou todos os jovens presentes naquela biblioteca, fazendo-os reflectir através de palavras ditas com austeridade e convicção. Foi um grande privilégio!»
 
                                                                                   Cátia Pinto - nº 5 - 11º B
                                                                                                                            

                                                                                                                           

«Estava à espera de uma maior participação por parte dos alunos tal como uma análise e discussão mais activa relativamente ao Sermão de Santo António aos Peixes, visto que este foi o único texto que estudámos do Padre António Vieira. No entanto achei interessante algumas das questões que colocaram ao Padre António Vaz Pinto, especialmente aquelas mais controversas. Achei também curiosa a forma como o Padre António Vaz Pinto vê a vida e o que nela é mais importante, apesar de não concordar totalmente com algumas das suas ideias, foi uma oportunidade muito interessante de ouvir outro ponto de vista e de reflectir sobre ele. Embora a Roda tivesse tido alguns momentos mais maçadores, posso concluir que foi uma experiência bastante enriquecedora. Tendo sido assim uma excelente oportunidade de reflectirmos um pouco sobre a vida em si e de descobrirmos outras facetas do Padre António Vieira, para mim até aí desconhecidas.»

                                                          Janaína Maurício - nº 10 - 11º B


 

 

«O Padre Vaz Pinto, conseguiu, sem dúvida, captar a nossa atenção e dar-nos a oportunidade de reflectir sobre a vida extraordinária do Padre António Vieira, dando-nos também a conhecer certos pormenores mais desconhecidos.

Gostei especialmente de ouvir ler alguns excertos do Sermão do Espírito Santo, desconhecido para mim! Achei interessantes as perguntas dos meus colegas, assim como as respostas dadas pelo senhor Padre.

Foi sem dúvida uma grande Roda de Leitura! Gostei bastante!»


                                                         Maria João Oliveira - nº 14 - 11º C


 

«A presença do Padre António Vaz Pinto nesta Roda de Leitura foi um privilégio, pois com as suas palavras cheias de sabedoria conseguiu captar a atenção de todos e fazer reflectir, quer sobre o Padre António Vieira, quer sobre a vida quando respondeu a algumas perguntas feitas pelos meus colegas.
Achei interessante a abordagem de alguns excertos do Sermão do Espírito Santo e a maneira como o Padre Vaz Pinto interpretou a sua mensagem alegórica. Gostei muito desta Roda de Leitura!»

                                                             Raquel Teixeira - nº 16 - 11º C

 


«
Gostei muito desta Roda de Leitura, pois além de descontraída foi sobre um assunto muito interessante que nos cativou a todos.
O Padre Vaz Pinto mostrou alguns aspectos curiosos do Padre António Vieira e, ao mesmo tempo que nos falou do passado e da mentalidade da época deste padre, ainda nos deu alguns conselhos para o futuro. Foi muito interessante!»

  

                                                               Cátia Pereira - nº8 - 11ºC


 

                                                        Prof.ª Deolinda Ferreira 

                                                                                                                      Prof.ª Emília Peres     

                                                                                                                      Prof. João Ribeiro

                                                                                                                                                                           

O Prof. João Ribeiro, que dirigiu o convite ao Padre Vaz Pinto e simpaticamente diligenciou a sua participação nesta Roda de Leitura, escreveu:

«O padre António Vaz Pinto testemunhou-se e testemunhou a sua fé, ao mesmo tempo que assinalou a grandeza do outro jesuíta que aqui o trouxe – António Vieira – no contexto do seu tempo e com valores que podem ser referências para a actualidade. O discurso não foi distante e, pelo caminho, ficaram ainda alguns conselhos para estes jovens, sobretudo numa perspectiva de encararem o seu tempo e o seu futuro.»

  

post-scriptum às 18:54

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Este blog persegue os objectivos do «Plano Nacional de Leitura» e promove, paralelamente, a participação da Escola Secundária de Palmela no «Projecto Ler Consigo» da Associação de Professores de Português/APP.

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